Kelly Smith: a lenda do futebol inglês

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Por: Patricia Zeni
patricia@planetafutebolfeminino.com.br

Uma das maiores jogadoras inglesas da história, Kelly Smith, anunciou aposentadoria dos campo de futebol, em carta publicada no site oficial do Arsenal, aos 38 anos.

Clubes

O início da carreira não foi fácil, assim como para todas as jogadoras. Jogando no Garston Boys Club, somente com meninos, nos arredores de Watford, Smith foi expulsa do clube, apesar de ser a artilheira, devido a reclamações dos outros pais. Então seu pai criou um clube, o Pinner Girls. Ainda nas categorias de base, ela foi para o Wembley Ladies, onde fez sua estreia como profissional, em 1994/95. Um ano depois, foi para o Arsenal Ladies.

Já marcando gols no time do norte de Londres, Kelly estudava no Wews Herts College, mas se transferiu, em 1997, para o Seton Hall University, nos Estados Unidos. Sua carreira profissional continuou nos EUA, apesar das constantes marcações da imprensa estadunidense, que considerava o futebol feminino na Inglaterra uma piada. Seu primeiro clube, depois que terminou a faculdade, foi o New Jersey Lady Stallions, da W-League. Smith ficou no pais para ajudar na formação da nova liga.

A Women’s United Soccer Association foi formada em 2000 e Smith foi jogar no Philadelphia Charge. Ficou três temporadas lá. Em 2002 sofreu uma grave lesão no joelho direito. Mesmo nessa visível decadência, a atacante ficou nos EUA e em 2004 voltou para a W-League, jogar para o New Jersey Wildcats, porém se machucou novamente e terminou a carreira lá marcando apenas oito gols.

Devido a depressão e problemas com álcool, a artilheira voltou para o Arsenal em 2005, após se recuperar 100% e já conquistou o título da Premier League na temporada 2004/05, marcando um belo gol contra o Charlton Athletic.

Na temporada mais vitoriosa das gunners, Smith esteve presente e marcou trinta gols, quando o Arsenal conquistou a Champions League, a Premier League, a FA Cup e a PL Cup. Apesar de ter perdido os dois jogos da final da UWCL, cumprindo suspensão.

Em 2008, retornou aos EUA, com a criação de uma nova liga. Ela foi escolhida pelo Boston Breakers, e ficou acima da Marta e abaixo apenas da lenda brasileira Formiga. Kelly ficou em terrar estrangeiras até 2012, quando retornou ao Arsenal, novamente por lesão.

Em 2014, comandou a equipe do Arsenal como técnica/jogadora, e permaneceu na comissão técnica de Pedro Losa.

Inglaterra

A estreia na seleção foi em 95, apenas três dias após fazer 17 anos. O jogo foi contra a Itália e foi eleita Player of The Match. O primeiro gol saiu logo no segundo jogo, contra a Croácia. Ficou várias vezes impedida de representar sua seleção, pois a universidade não a liberava. Disputou três edições da Euro e duas da Copa do Mundo.

Em 2010 se tornou a jogadora com mais gols marcados pela Inglaterra, no total anotou 46.

Em 2015, se aposentou da seleção, mas não antes de participar das Olimpíadas, em 2012, pela Team GB.

Carta

A carta foi traduzida integralmente por mim, direto do site oficial do Arsenal.

“Ganhando a FA Cup em Wembley foi o mais glorioso jeito de completar minha carreira. Sempre seria difícil para mim parar de jogar mas eu sinto que agora é o momento certo. Estou formalmente anunciando minha aposentadoria do futebol.
Comecei com outo anos jogando numa equipe local de meninos; me transferi para o Watford Ladies; para Wembley Ladies; e então para o Arsenal Ladies. Junto com os clubes que joguei nos EUA, juntei um tesouro encontrado de lições e memórias.
Meu profundo obrigado a todos no Arsenal Football Club por fazer possível para mim alcançar meu sonho de infância: representar o clube que eu cresci torcendo. Sou muito orgulhosa por ter feito parte da família Arsenal por muitos anos, e mais orgulhosa por ainda estar contribuindo para muitos sucessos e muitas conquistas.
Também sou grata pela honra de ter jogado com e contra muitas incríveis jogadoras mundiais.
Uma coisa foi consistente durante minha carreira: a magnificência do apoio que recebi dos fãs. Foi um prazer conhecer familiares faces nos jogos, e ler as generosas cartas. Obrigada a cada um de vocês por sua energética torcida para o jogo e para mim.
O sucesso da minha carreira não teria sido possível sem a guia que recebi de muitas pessoas talentosas no caminho: Vic Akers, Pippa Bennett, Norman Burns, Nicki Combarro, Robin Cunningham, Tony Dicicco, Shelly Kerr, Betty Ann Kempf, Steve Kutner, Pedro Martinez Losa, Hope Poell, Clare Wheatley e muitos mais. Todos vocês me ajudaram a me fazer a jogadoras que me tornei.
Eu especialmente gostaria de agradecer minha maravilhosa família por seu amor, sabedoria e suporte sem cansaço.
Estou feliz em confirmar meu próximo passo, que irá me ver levar o tempo todo treinando o clube. Uma oportunidade fantástica de pagar o clube que eu amo e nutrir a próxima geração de talentos no futebol feminino.
Para agradecer a todos, estamos fazendo um jogo de celebração no domingo, 19 de fevereiro, no Borehamwood.
Terá muitas jogadoras maravilhosas do arredor do mundo assim como do passado e estrelas atuais do futebol feminino, para jogar contra o novo elenco do Arsenal Ladies para 2017!”

 

*Nós que agradecemos, Kelly Smith!

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