CONEXÃO BRASIL: COMO ESTÃO AS JOGADORAS BRASILEIRAS NO FUTEBOL CHINÊS?

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Não é apenas o futebol masculino da China que vem investindo em jogadores brasileiros. No feminino seis brasileiras disputam a CWSL. 

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Darlene, Raquel e Rafaelle defendem o Changchun Zhuoyue, enquanto Debinha, Gabi Zanotti e Fabiana jogam pelo Dalian Junfeng. (FOTO: Arquivo)

Por: Bruno Bezerra

bruno@planetafutebolfeminino.com.br

Vice campeãs olímpicas em 1996 em Atleta e vice campeãs mundiais em 1999, e após um longo tempo fora de grandes competições como Copa e Olímpíadas, a boa campanha da seleção da China na Copa do Mundo de 2015, na qual a equipe seria eliminada nas quartas de final pelos Estados Unidos, foi sem dúvida fator chave para o crescimento da Chinese Women’s Super League (CWSL), associado ao ótimo poder aquisitivo de muitos dos clubes do país. Assim como no futebol masculino, no feminino a China também passou a investir forte em sua liga nacional, sobretudo com a chegada de atletas estrangeiros, sobretudo, brasileiros.

Para falar mais sobre as brasileiras no futebol chinês, conversei com Gustavo Rodrigues, administrador da página China WTF, destinada a falar sobre a seleção chinesa feminina e também sobre a CWSL.

A CWSL tem oito equipes, que se enfrentam entre si em jogos de turno e returno, levemente semelhante ao adotado há algumas temporadas atrás pela FA WSL (Campeonato Inglês Feminino, que agora conta com 9 times). A competição existe desde 1997. O atual campeão chinês é o Shanghai, que faturou 11 títulos e é o atual bicampeão, ainda que com nome diferente. É o time mais tradicional do país e berço de Sun Wen, maior jogadora da história do futebol feminino do país. Um fato bem interessante é que desde 2015 a cobertura da Liga passou a ser levada mais a sério, com transmissões de TV e uma maior participação do público em estádios melhores, alguns até dos times masculinos.

Apenas a partir dessa temporada, jogadoras de cunho internacional, no caso as seis brasileiras passaram a atuar na liga chinesa.

Vamos a uma pequena análise do momento atual de cada uma delas. Vale lembrar que apenas DUAS estrangeiras podem estar em campo ao mesmo tempo por seus clubes. Isso é uma regra da federação chinesa, justamente para incentivar as jogadoras locais.

Fabiana vem sendo titular indiscutível do Dalian e considerada até agora a melhor lateral-direita da temporada. Já marcou gol, deu assistências, mostrando-se bastante proativa dentro da sua equipe. Debinha, que deixou o Avaldsnes da Noruega para o desafio de uma nova liga, jogou poucos minutos, atuando mais no time reserva, porém, quando entrou no time titular, mostrou velocidade, técnica e bons lances. Poderia estar jogando apesar da concorrência pesada que tem com Li Wen, Pang Fengyue, Wang Shuang (uma das principais artilheiras do campeonato e da seleção chinesa). Já Gabi Zanotti vem jogando como volante e não como meia de criação como aqui no Brasil, inclusive fez um gol no 4×0 contra o Beijing no jogo de abertura.
Raquel entrou bem no primeiro jogo, ainda que não tenha marcado, criando boas oportunidades. Vem jogado pouco e ainda não marcou no seu time, o Changchun (atual vice líder da competição), já Darlene é uma das artilheiras da Liga ao lado de Shuang e de Ma Xiaoxu, com 4 gols. Rafaelle é uma das melhores zagueiras da Liga, segura e extremamente técnica. Fez um gol de falta contra o Dalian, no duelo entre líder e více líder, no empate por 1×1 fora de casa.

Essa é a atual tabela da competição. Os times das jogadoras brasileiras são os dois primeiros da competição.

Tabela da CWSL.
Tabela da CWSL.

A grande pergunta a ser feita é: a escolha das jogadoras foi boa ou ruim, ao deixar seus clubes no Brasil ou na Noruega (caso de Debinha), migrando para um novo desafio?

É pelo lado financeiro mesmo. Assim como no masculino, é difícil comparar o salário que você tem no Brasil com aqui. (Palavras da zagueira Rafaelle, em entrevista ao site globoesporte.com)

Claro que o fator financeiro era evidente, porém, o fator competitividade não pode ser esquecido. A China sempre foi uma equipe tradicional dentro do cenário do futebol feminino, tanto que as três primeiras no campeonato tem inúmeras jogadoras que são praticamente a base da equipe chinesa que disputará os Jogos Olímpicos aqui no Brasil, sendo inclusive adversárias da seleção brasileira na estreia do torneio.

Uma escolha certa. Pensaram bem na carreira, souberam se arriscar diante de um grande desafio em uma nova cultura e estão colhendo ótimos frutos com um reconhecimento na China, diferente muitas vezes do que ocorre no futebol feminino brasileiro.

Que mais jogadoras brasileiras mostrem a qualidade do nosso futebol em terras chinesas, coreanas, europeias, norte-americanas e é claro, no nosso país. O mais importante para que o futebol feminino brasileiro cresça é o reconhecimento e a valorização, tanto nacional como internacional.

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