SORTE DE CAMPEÃO?

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Inglaterra faz gol contra nos acréscimos e Japão está na final do Mundial 

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Japonesas sofreram e foram até dominadas, mas se salvaram nos acréscimos / Foto: Getty Images

Por Tiago Bontempo

 
Para um time ser campeão, às vezes não basta ter talento, organização e competência. A sorte pode ser decisiva em detalhes que mudam completamente o rumo de um campeonato. Uma equipe “cascuda” junta tudo isso e dá um jeito de vencer mesmo quando joga mal e se vê com as costas na parede contra um adversário tecnicamente inferior. O Japão não jogou bem na semifinal disputada no Commonwealth Stadium, em Edmonton. Foi pressionado pela Inglaterra em vários momentos. Mas em um contra-ataque, nos acréscimos, a zagueira inglesa Bassett desviou para as próprias redes um cruzamento de Kawasumi. Gol contra. As Nadeshikos venceram as Três Leoas pela primeira vez na história e disputarão a terceira final seguida em um torneio de maior importância, depois do título da Copa de 2011 e da medalha de prata em Londres 2012. De um lado, euforia total das japonesas. De outro, britânicas inconsoladas, algumas chorando. O futebol pode ser lindo e cruel ao mesmo tempo.

A Inglaterra fez de tudo para anular os pontos fortes do adversário. Assustou já no primeiro minuto em jogada individual de Taylor, que deu um chapéu em Kumagai e chutou cruzado para fora, com perigo. E continuou mais incisiva no campo de ataque, mas abusando de cruzamentos e lançamentos – dos quais a defesa japonesa, especialmente Kaihori, lidavam sem dificuldade.

As Nadeshikos ainda tinham mais posse de bola (55% no primeiro tempo), mas não conseguiam chegar à meta de Bardsley. Boas atuações especialmente das zagueiras Houghton e Bassett anulavam as investidas de Ogimi e Ohno. Kawasumi continuava improdutiva. Apenas Miyama parecia capaz de levar perigo. Só aos 30 minutos o Japão chegou pela primeira vez, e logo usando a principal arma do adversário.

Um lançamento de Sakaguchi do campo de defesa encontrou Ariyoshi em disparada por trás da linha de zaga. Ela foi derrubada por Rafferty ao entrar na área – caiu dentro, mas foi puxada fora. Pênalti duvidoso assinalado pela árbitra neozelandesa Anna-Marie Keighley. Miyama cobrou bem, deslocando a goleira, e fez 1×0. Pouco depois, mais uma penalidade, desta vez ainda mais incerta. Houghton desabou na área japonesa após contato mínimo como Ogimi, mas o pênalti foi marcado. Kaihori adivinhou o canto, mas o chute de Williams foi bem colocado, sem chance de defesa: 1×1.

Se a Inglaterra já tinha surpreendido ao equilibrar as ações no primeiro tempo, fez ainda melhor no segundo. Adiantou suas jogadoras, passou a pressionar a saída de bola e não deixou as adversárias jogarem. Acuadas, as nipônicas não tinham escolha a não ser recorrer ao chutão para não se complicarem. Só as britânicas chegavam, e várias vezes com perigo.

Duggan acertou o travessão aos 16 minutos. White chutou da meia-lua e exigiu grande defesa de Kaihori aos 19. Em escanteio aos 21, Williams se desmarcou e testou com força; a bola passou muito perto da trave e foi para fora. O Japão só voltou a ameaçar quando Iwabuchi entrou em campo, aos 25, no lugar de Ohno. Primeira e única alteração de Sasaki na partida. Mas a Inglaterra ainda era melhor e de novo acertou o travessão, com um cruzamento de Scott que foi na direção do gol aos 32.

A pressão continuava e as asiáticas se seguravam. O jogo entrava no segundo dos três minutos de acréscimos prometidos quando Kumagai interceptou um passe e imediatamente lançou contragolpe com Kawasumi, que corria pelo lado direito. Ela cruzou na medida para Ogimi completar, mas Bassett se adiantou e cortou para trás. A bola bateu no travessão e quicou dentro do gol. Japão na final.

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O choro de Laura Bassett, autora do gol contra: um dos momentos marcantes desta Copa do Mundo / Foto: Getty Images

 

Ficha do jogo:
Japão 2×1 Inglaterra – Commonwealth Stadium, Edmonton – Público: 31.467 [vídeo]
Gols: Aya Miyama (33′, 1×0), Fara Williams (40′, 1×1), Laura Bassett (gol contra, 90+2′, 2×1)

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Formações iniciais e avaliação das jogadoras: o Japão teve seu pior desempenho no Mundial. Apenas Miyama esteve acima da média, além de Ariyoshi, que foi eleita pela Fifa a melhor em campo. A lateral direita não subiu muito ao ataque, mas defensivamente foi excelente. A Inglaterra teve mais que o dobro de finalizações do Japão (15×7) mas empatou em chutes certos (2×2). Houghton, Williams e Scott se destacaram. Bassett também fazia bom jogo, até marcar o infeliz gol contra que eliminou sua seleção.

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