AVASSALADOR! SELEÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS É TRI-CAMPEÃ DO MUNDO

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Depois de 16 anos, a seleção dos Estados Unidos não poderia ter se livrado melhor da sobra da geração de 99.

Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

Por: Amanda Marinho

Esqueça tudo o que você já viu em uma final de Copa do Mundo. Esqueça a aflição da final de 2011, esqueça o gol de Brandi Chastain em 1999. O que essa geração norte-americana fez foi sem precedentes. De forma avassaladora, o time passou como um rolo compressor pelo Japão nos primeiros minutos de partida. Geralmente os times começam se estudando, e se alguém conseguir um gol nos primeiros 10 minutos de uma final, ótimo. Nesse caso as americanas sequer tomaram conhecimento das então campeãs do mundo, simplesmente desconheceram qualquer história japonesa no futebol feminino. Há muito não se via um time jogar com tanta vontade.

Para os mais desavidos, aqueles que perdem os primeiros minutos da partida, não vira os Estados Unidos marcando 4 gols. Carli Lloyd foi a jogadora mais rápida a completar um hattrick em Copas do Mundo, com apenas 16 minutos, e Lauren Holiday fechou a conta. O time japonês conseguiu diminuir com Iwabuchi, mas o placar permaneceu 4 a 1 na primeira etapa.

O primeiro gol saiu logo aos 3 minutos, depois de uma cobrança de escanteio. Holiday cobrou rasteiro na área e Lloyd apareceu atrás de Iwashimizu para marcar. Apenas 2 minutos depois, Lloyd marcou de novo, depois de outro escanteio ela pegou a sobra e marcou. Holiday marcou o outro aos 14’, em mais um erro de Iwashimizu, que tentou cortar mas deixou a bola na área livre para Holiday chegar batendo. Carli Lloyd se mostrou diferenciada aos 16 minutos. Não que os dois gols já não provassem isso, mas seu terceiro foi uma pintura. Percebendo a goleira Kaihori adiantada, Lloyd bateu ainda no seu campo defensivo e marcou um golaço, aquele gol que o Pelé não fez.

Esboçando uma reação, o Japão conseguiu diminuir com Yuki Ogimi, depois de um erro de Johston, que perdeu o tempo da bola na hora de cortar e deixou a japonesa livre para bater acima do alcance de Hope Solo. Norio Sasaki não esperou o segundo tempo para fazer suas alterações, colocou Homare Sawa no lugar da queimada zagueira Iwashimizu e depois tirou Kawasumi para entrada da atacante Sugasawa.

Pra ninguém botar defeita, o segundo tempo começou pegando fogo. Já aos 4 minutos Morgan Brian quase marcou um golaço de fora da área, obrigou a goleira Kaihori a fazer uma grande defesa. Dois minutos depois, Julie Johnston acabou fazendo contra. A zagueira que vinha se destacando na Copa do Mundo, inclusive concorrendo a Bola de Ouro da Copa, cometeu dois erros nos gols sofridos pelos Estados Unidos. O problema para o Japão veio logo na sequencia. Depois de escanteio a defesa parou e Morgan Brian conseguiu rolar para trás e Tobin Heath marcou o 5º gol americano.

Aos 13 minutos o treinador japonês tentou injetar mais vontade no time, tirando Shinobu Ohno e colocando Mana Iwabuchi. Em resposta, Jill Ellis resolveu tirar Megan Rapinoe – que saiu ovacionada de campo – e colocar Kelley O’Hara. O’Hara fez grandes partidas contra Colômbia e Alemanha, e entrou em jogo para ajudar principalmente na marcação e aparecer como elemento surpresa na área.

Aos 34 minutos Jill Ellis resolveu substituir Tobin Heath por Abby Wambach, uma substituição claramente para honrar uma carreira sem precedentes, de uma das jogadoras que mais fez pelo futebol feminino no mundo e ainda hoje é a maior artilheira por uma seleção do futebol. Ao entrar, Wambach recebeu a braçadeira de capitã que antes estava com Lloyd. Também para honrar uma grande carreira, Christie Rampone entrou em campo aos 40 do segundo tempo, no lugar de Alex Morgan. Ela é a única remanescente do time campeão do mundo de 1999 que ainda está jogando.

Interessante notar que Lloyd e Heath jogaram a final da Copa do Mundo de 2011 e perderam seus pênaltis na disputa. Ou seja, essa final serviu para lavar a alma de jogadoras que quase sempre são muito questionadas na seleção americana.

Depois de anos nas sombras as americanas conseguiram se livrar dos fantasmas do passado. Lendas dos futebol feminino como Christie Rampone, Hope Solo e Abby Wambach encerram suas carreiras – pelo menos em Copas do Mundo – com um título que ainda não tinham (exceto Rampone). Como dito, há muito não se via tanta vontade.

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