Guerra Declarada: Jogadoras processam FIFA

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Entenda o que levou as principais jogadoras do mundo a mover uma ação contra a FIFA e a Confederação Canadense de Futebol.

Marta, Alex Morgan e Abby Wambach. (Foto: Alexander Hassenstein – FIFA/FIFA via Getty Images)
Por: Amanda Marinho


4 de Maio de 2012: A FIFA anuncia os estádios que receberão os jogos da Copa do Mundo FIFA 2015. Eles são: o Estádio Olímpico em Montreal, o Commonwealth Stadium em Edmonton, o Investors Group Field em Winnipeg, o TD Place Stadium em Ottawa, o BC Place em Vancouver, Moncton Stadium – Moncton. 

Dos 6 estádios, 5 já possuíam gramados artificiais, e o estádio de Moncton teve seu gramado natural substituído pelo artificial recentemente. A final será no BC Place, em Vancouver.

Março/2013: Abby Wambach concede entrevista em que expressa seu descontentamento com a escolha de gramados artificiais para a Copa do Mundo. “Acho que uma Copa do Mundo merece ser jogada em grama natural. Não só as jogadoras merecem isso, como também os torcedores. O jogo muda em gramados artificiais”, disse a jogadora Americana.

Wambach afirma que jogadoras de diversos países se sentiram enganadas pela FIFA, já que, segundo ela, durante a Algarve Cup de 2013, o órgão fez uma pesquisa onde perguntava para as jogadoras suas opiniões sobre o tipo de grama a ser usado na Copa do Mundo, e, segundo Wambach, 77% das jogadoras optaram pelo uso de grama natural, acreditando que aquela pesquisa teria alguma influencia nos gramados utilizados.

Janeiro/2014: A Federação Australiana envia para a FIFA uma carta onde expressa sua preocupação com o uso de grama artificial na Competição. 

Agosto/2014: A divisão entre a imprensa Americana, e o resto do mundo, e a imprensa Canadense é evidente. Os Canadenses querem que o gramado artificial permaneça, e que as jogadoras se concentrem em outras coisas, e não nos campos. 

“Estamos muito confortáveis com a decisão que foi tomada para que todos os jogos sejam em grama artificial”, disse Sandra Gage, chefe do Comitê de Marketing da Copa do Mundo de 2015.

Ainda em Agosto um grupo de 40 jogadoras busca apoio legal na briga pela substituição dos gramados artificiais por grama natural. As líderes do grupo são Abby Wambach, dos Estados Unidos, e Nadine Angerer, da Alemanha. Entre as 40 jogadoras aparece a Brasileira Fabiana Simões.

As jogadoras contrataram um escritório de advocacia e enviaram uma carta a FIFA e a Confederação Canandense de Futebol onde dizem que o uso de superfície inferior de jogo na Copa do Mundo de Futebol Feminino é um ato discriminatório contra as mulheres, e por isso quebra as leis Canadenses.

A FIFA confirmou o recebimento da carta, mas preferiu não comentar.

24 de Agosto de 2014: Emma Highwood, Diretora de Futebol Feminino da Federação Australiana, disse que a Federação estava tranquila como uso de grama artificial na Competição. “Certamente não temos problemas com isso”, disse.

Porém, em Janeiro a FIFA já havia informado que a Austrália tinha sido a única Federação a expressar preocupação. O que aconteceu? Não se sabe ao certo, mas os comentários de apoio ao uso de grama artificial foram feitos dois dias após a FIFA publicar um artigo onde informa que a Federação Australiana acabava de receber U$500mil para investimento em categorias de base exclusivamente para o futebol feminino.

5 de Setembro de 2014: A Confederação Canadense de Futebol (CSA) responde as recentes acusações, chamando-as de “exageros” e “equívocos”. 

“Esse é o maior equívoco que já ouvi na minha vida”, Victor Montagliani, Presidente da CSA. “A Federação Canadense é uma das únicas que investe mais no Futebol Feminino do que no Masculino”. Além desses comentários, Montagliani se recusou a falar mais sobre o assunto, apenas dizendo que “o investimento que fazemos no Futebol Feminino é sem comparação e estamos orgulhosos disso”

Em 2011 a Seleção Canadense quase boicotou a Copa do Mundo de 2011 por falta de incentivos, o que quase levou a então treinadora Carolina Morace a se demitir antes da Copa em 2011. O Canadá terminou em último da Competição.

Já a FIFA respondeu as acusações de que teria enganado as jogadoras em uma pesquisa realizada na Algarve Cup de 2013:

“O objetivo dessa pesquisa foi de coletar informações de atletas da elite do futebol feminino sobre suas opiniões e visões sobre as superfícies de jogo. Os resultados estão sendo usados para guiar futuras pesquisas e desenvolvimento para as superfícies de jogo. 

“Os resultados da pesquisa foram publicados em Novembro de 2013. Como previamente comunicado, a FIFA aprovou a proposta do Comitê de Organização Nacional (NOC) de usar grama artificial nesse torneio antes (dos resultados serem divulgados), incluindo a decisão do Comitê Executivo da FIFA em reunião realizada em Março de 2013, de que os gramados nos estádios e centros de treinamento deveriam ter a mesma qualidade e atingir os níveis exigidos pela FIFA.

“A FIFA continua a trabalhar em proximidade com o NOC em todos os aspectos para que a Copa do Mundo 2015 traga igualdade e qualidade, deixando um legado para as mulheres e para o Canadá que vão além deste evento.”


FLASHBACK

9 de Junho de 2013: Depois de jogar em um campo de grama artificial, cujo a empresa responsável é a FieldTurf, mesma empresa que cuidará dos campos na Copa do Mundo, Kaylyn Kyle, meio-campo Canadense, postou em sua conta no twitter “EU AMO TURF¹!!!” 



12 de Setembro de 2014: Kaylyn Kyle assina contrato com a FieldTurf. A atleta receberá um valor total de U$15,000 no decorrer de 3 anos. O tweet acima foi apagado. 

Agosto/Setembro 2014: “Tenho certeza que todo jogador de futebol, qualquer idade, ama jogar em grama natural”, Sophie Schmidt, meio-campo Canadense. Ela ainda completou dizendo que o foco é se preparar para a Copa do Mundo independente do tipo de gramado em que os times irão jogar. 

“Se você perguntar para qualquer jogador de futebol, ele vai preferir jogar em grama natural, é um fato. Obviamente, estou orgulhosa da CSA e do Canadá por receber esse Torneio. Como um time, nós não iremos nos focar em que tipo de campo jogaremos. Vamos nos focar em tentar ganhar a Copa do Mundo e deixar que os outros se preocupem com os campos em que eles vão jogar”, Christine Sinclair, capitã da Seleção Canadense.

26 de Setembro de 2014: O escritório de advocacia contratado pelas jogadoras começa a finalizar os papéis necessários para dar entrada na ação contra a FIFA e a CSA. As jogadoras deixam claro que não irão boicotar a Copa do Mundo. 

30 de Setembro de 2014: Tatjana Haenni, uma das diretoras responsáveis pela Copa do Mundo de 2015, diz “se jogará em gramados artificiais e não existe plano B”. A FIFA aponta um grupo para inspecionar a qualidade dos gramados artificiais.

1 de Outubro de 2014: A ação é oficialmente levada ao Tribunal de Direitos Humanos de Ontario, no Canadá. O documento aponta a situação financeira da FIFA, que conta com U$1,4bilhões em caixa. Para substituição de todos os gramados artificiais por gramados naturais, a FIFA gastaria em torno de U$2 milhões. 

2 de Outubro de 2014: O Tribunal de Direitos Humanos do Canadá notifica a FIFA e a CSA de que ambos devem responder as jogadores até o dia 10 de Outubro.

¹Turf é um dos nomes dados ao gramado artificial


The Equalizer contribuiu para esse post.

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